Apresentação | Membros | Objectivos | Metodologia | Resultados | Novidades
Links | Bibliografia | E-mail | Início
TERRISC

RECUPERAÇÃO DE PAISAGENS DE SOCALCOS
E PREVENÇÃO DE RISCOS NATURAIS
M E T O D O L O G I A

O projecto estrutura-se em três fases:

A ) Durante a primeira etapa proceder-se-á basicamente ao desenho de campos experimentais para o estudo do funcionamento hídrico dos socalcos e a caracterização territorial das áreas piloto. Terá os conteúdos seguintes:

- Selecção das áreas experimentais de análise que reunam uma amostragem representativa das condições físicas e de aterraçamento que permitam conseguir os objectivos do projecto.

- Desenho, construção e ensaio de sistemas específicos de medida do efeito hidrológico dos terraços de cultivo mediante parcelas experimentais nas quais se controlam as entradas e saídas de água em diferentes condições litológicas, climáticas e de ocupação do solo (conservalção, técnica construtiva, tipo de cultura).

- Cartografia da superfície, estado de conservação e usos actuais dos campos em socalcos nas áreas de análise.

- Identificação, catalogação e cartografia dos sistemas específicos de regulação hídrica (drenagens, condutas, estruturas diversas…) anexos aos campos em socalcos, estabelecendo a sua eficiência e funcionalidade.

- Detecção, à escala regional e para cada um dos dos territórios implicados no projecto, dos factores de risco – climáticos, litológicos, geomorfológicos e outros – que afectam os espaços com socalcos. Especialmente os riscos hidrológicos e os seus efeitos, tanto directos como indirectos.


B ) A segunda fase tem por objectivo a análise dos resultados obtidos durante a etapa inicial e realizar-se-á de acordo com os seguintes pontos:

- Integração dos resultados das medidas de processos sobre áreas experimentais com as observações qualitativas sobre áreas de maior escala.

- Análise, mediante a utilização de SIG, das interrelações que existem entre as características estruturais dos campos em socalcos, em relação às suas capacidades de prevenção de riscos, tanto de origem hídrica, como relacionados com outros tipos de processos.

- Desenvolvimento de modelos de avaliação de risco potencial nas regiões com socalcos mediante a integração de factores ambientais, construtivos e de uso.

- Avaliação da eficiência dos socalcos como estruturas que facilitam os processos de infiltração e de melhoria dos recursos hídricos.


C ) Finalmente, pretende-se elaborar documentação conjunta e pôr à disposição dos investigadores e do público interessado os resultados do projecto. Ao mesmo tempo, pretende-se criar espaços de intercâmbio de informação, quer através da página WEB quer através de reuniões de trabalho.

- Intercâmbio de experiências e de resultados obtidos em cada uma das zonas de estudo a fim de estabelecer documentação conjunta e modelos comuns de actuação.

- Elaboração de material de difusão e valorização dos aspectos ambientais deste tipo de paisagem cultural sem perder de vista o pano de fundo cultural e social que os acompanha.

- Realização de acções de comunicação pública dos resultados.

- Desenho, promoção e difusão de iniciativas de aproveitamento do património de socalcos compatíveis com a conservação do seu papel ambiental e como atractivo face a um turismo alternativo e sustentável.

- Criação de foruns de intercâmbio e de difusão de experiências neste campo.



A primeira fase do projecto Terrisc corresponde à cartografia, experimentação e inventariação da área em estudo, que integra um conjunto de unidades geomorfológicas, num total de seis bacias hidrográficas, repartidas em termos administrativos por três concelhos, designadamente: Oliveira do Hospital, Arganil e Seia.
Partindo da definição desta unidade geográfica, pretendemos concretizar os objectivos a que nos propomos e que nos remetem para o estudo dos impactos do escoamento fluvial, que correlacionado com as características físicas da área, nomeadamente os acentuados declives das vertentes, podem provocar consequências significativas ao nível das torrentes que funcionam nas linhas de água provocando por sua vez, grandes efeitos erosivos.

O trabalho de gabinete encontra a sua expressão na cartografia da área ocupada, por socalcos, já que a presença dos socalcos cumpre um conjunto de finalidades específicas baseadas no aumento da espessura do solo decorrente da diminuição do declive da vertente e no favorecimento da infiltração da água, limitando a escorrência superficial e consequentemente a erosão hídrica. Os objectivos deste parâmetro assentam na análise da estrutura dos socalcos e o estado de conservação dos muros que os suportam e numa análise mais específica ao seu uso agrícola e fisionomia vegetal.
Neste âmbito é fundamental que se identifiquem algumas variáveis, que permitem estabelecer os parâmetros reais de análise. A inventariação dos socalcos nas bacias hidrográficas foi realizada a partir da análise conjunta de: cartas militares do Serviço Cartográfico do Exército; fotografias aéreas de 1958 e ortofotomapas de 2004.
No caso das ribeiras do Piódão e de Pomares, a folha da Carta Militar utilizada foi a nº 233, à escala de 1:25000. Neste âmbito foi também essencial o confronto entre os ortofotomapas de 2004, cedidos pela Câmara Municipal de Arganil, com as fotografias aéreas de 1958 da mesma área. De seguida procedeu-se à sua rasterização, com posterior georeferenciação num ambiente SIG.

O resultado foi a comparação entre as duas fotografias de forma a analisar a evolução das áreas.
A partir da análise destas fontes de informação geográfica, procedeu-se à vectorização dos socalcos através do método e das ferramentas contidas no software ArcGis 9.1. Inicialmente delimitou-se a estrutura dos socalcos e o respectivo estado de conservação.. A cartografia relativa a estes últimos  parâmetros em análise, foi realizada através da fotointerpretação, e está a ser complementada com trabalho de campo, visto serem parâmetros muito específicos e que carecem de uma confirmação continuada no tempo e no espaço.

Sabendo-se à partida que a construção de socalcos é um dos métodos mais conhecidos e utilizados para controlar a escorrência e a erosão em vertentes de inclinação significativa, o factor declive teve especial ponderação ao serem definidas as directrizes metodológicas do levantamento, dada a sua influência nos parâmetros em estudo. Recorrendo-se ao software acima referido, foi calculado de uma forma automática, utilizando uma grelha com dimensão de 0,4mm de lado, correspondendo a 10m no terreno, facto que oferece um pormenor muito elevado, dando um resultado visual final que se aproxima de um mapa de áreas homogéneas. Tal resolução só é possível devido ao facto de ser calculado por computador, já que seria incomportável a sua realização manual.

As classes foram definidas com um intervalo de 10%, com o intuito de se correlacionar com as condicionantes às operações florestais. Por sua vez, este intervalo gera, também o efeito visual que mais se adequa para a área de estudo. A tabela adjacente demonstra de que forma o declive interfere no ordenamento do território e, consequentemente, na aplicação à área de estudo.
 
Classes de Declive Condicionantes
<10% Praticáveis por pessoas e veículos normais
10%-19% Marcha só possível a passo; os veículos normais apresentam algumas dificuldades;
20%-50% Praticáveis por veículos todo o terreno (4x4);
>50% Marcha quase impossível;
Só veículos especiais conseguem operar;